Notícias

Audiência discute políticas para enfrentamento à violência e o abuso sexual de menores

 Foto: Edson Brandão 
A implantação de políticas de enfrentamento ao abuso e a violência contra crianças e adolescentes foi discutida nesta segunda-feira durante Audiência Pública na Câmara de Coxim.
O presidente da Casa que foi quem propôs a audiência, Miron Coelho Vilela, realizou a abertura do evento e disse ter sido bastante motivado pelo professor da Universidade Federal e coordenador da audiência, Marcos Amorin que vem estudando o assunto junto a sua aluna, Giuliane Alencar Dias.
“Nos dois últimos anos, a UFMS abriu as portas para discussões de questões sociais saindo da sala de aula e ganhando espaço na sociedade, trazendo propostas novas para jovens crianças adolescentes e outros em situação de vulnerabilidade. De acordo com uma pesquisa do IBIS, 32 pontos de exploração foram encontrados em Campo Grande. Em Corumbá e Ponta Porã, 16 pontos e em Coxim que é um município menor foram encontrados 11 pontos, ou seja, uma proporcionalidade desequilibrada” define o professor que acredita que a partir da audiência, serão encontradas soluções para minimizar esse problema na cidade.
Para o propositor da audiência, que já se envolveu em outros projetos voltados para a proteção das crianças de Coxim, é preciso traçar metas, um plano de trabalho para vencer a violência, até mesmo aquelas que acontecem no silêncio do seio de uma família e demora a ser revelada.
“Não podemos nos omitir desta realidade, mas enfrentá-la de forma corajosa, pois Coxim está na rota da prostituição no Brasil” declarou a prefeita municipal Dinalva Mourão.
Já o deputado Junior Mochi acredita que para sanar o problema é preciso tomar decisões parecidas com as que ele realizou enquanto era prefeito, unindo toda a sociedade na causa, oferecendo perspectivas para os jovens, proteção e condições de crescimento. “Muitos se prostituem para colocar algum recurso dentro de casa” alega Mochi.
O deputado relembrou uma situação que causou bastante impacto com alguns segmentos do comércio na época que foi a colocação de um outdoor na BR 163 dizendo que os turistas eram bem vindos na cidade, porém que o turismo sexual não era quisto pela população.
Após o pronunciamento da mesa, foram realizadas duas palestras com o coordenador da escola de Conselhos da UFMS, idealizador do ECA (Estatuto d Criança e do Adolescente) coordenador do PAIR (Programa de Ações Integradas e Referências de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto Juvenil), professor Ângelo Motti e com a coordenadora do Comcex, Estela Márcia Scandola.
Motti chamou os poderes a conhecerem as leis que se relacionam as crianças e conferir se as mesmas estão sendo cumpridas, pois muitas estão apenas no papel.
“Precisamos fazer um diagnóstico apurado trazendo elementos sobre essas leis. Mediante o conhecimento dessas leis vamos analisar quais ações existem e prepar políticas públicas para este trabalho. Os direitos da criança precisa de adultos para acontecer. Temos que repensar nossa cultura e nossas festas. A Festa do Peixe por exemplo, deve ser amiga da criança” idealizou Motti.
Estela concordou com Motti, pois para ela a violência está nas músicas, nos hinos, nas piadas, ou seja, está debaixo de nossos olhos e não conseguimos ver, pois faz parte de nossa educação, está entranhada na nossa cultura.
“Precisamos desaprender essa cultura de violência. Uma moça nova com hormônios a flor da pele que sai na rua não quer dar, ela é uma moça que está vivendo a sexualidade dela. Um moço novo, fortão que sai mostrando os músculos também está no seu direito assim como essa moça. O que acontece é que muitos abusam dessa natureza em combustão” finalizou Estela.
Para finalizar o presidente Miron fez uma referência ao banner que estava estendido no plenário com a frase “O abuso acontece em casa e o muro do silêncio protege a família e impede a proteção da criança”.
Miron disse que não tem nem idéia de quantas famílias sofrem desse problema na cidade, mas acredita que são muitas, principalmente diante dos atendimentos realizados pela delegacia da mulher em Coxim.
“É dentro das casas, é no Panatanal o maior numero de casos. O Dr. João Pedro é testemunha, pois recebe muitos no hospital. São coisas de arrepiar. Nem sempre são os turistas o problema e sim as próprias famílias. Precisamos conscientizar nossa população, pois as marcas da violência são eternas. Precisamos atender o coletivo para alcançar uma mudança cultural. Acredito que a proposta da promotora Daniela, de trabalhar com donos d hotel, taxis e mototaxis é uma forma de atacar o problema, mas isso é paliativo, porém já dará uma grande mudança em nossa realidade” finalizou Miron.
Além das autoridades citadas estavam presentes o diretor da UFMS, professor Gedson Faria, o coordenador da pesquisa sobre a prostituição na BR 163, o professor mestre Osvaldo dos Passos Junior, a coordenadora do CMDCA, Lucimara Gomes, Conselho Tutelar, Ana Marcia Galvão Farias, o representante de Políticas Públicas para a juventude, Aluízio São José, o representante do 47ºBI, Tenente Médico Fernando Libert, representante do Corpo de Bombeiros, Capitão Wagner Dupin, secretária de Assistência Social, Luzia Louzada Bezerra, secretário Mario Toshio Nakada, o comandante do 5º BPM, Marcio Romero Vilassanti, além dos vereadores, Dr. Algemiro de Souza, Dr. João Pedro, Adilson do Detran, Amoacir Alexandre.
A população compareceu em peso e lotou o plenário. Muitos participaram interagindo com os palestrantes, realizando perguntas e sugerindo alternativas. (Ana Flávia Dorsa)


Enviar por email   Imprimir
Data - 02/12/2009
Comentários

Envie seu comentário
Nome:   Profissão: 
E-Mail:    
Cidade:   Estado:
Comentário:
Hora e Data Local
Segunda-Feira 06/09/2010
Audio das Sessões

Clima Tempo
31
AGENDA DO VEREADOR
SETEMBRO   2010
S T Q Q S S D
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 1 2 3

Desenvolvido por INTECO ®