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Vereadores participam de grito de alerta para salvar o Rio Taquari

 Foto: Edson Brandão 
Neste fim de semana, o Cointa (Consorcio Intermunicipal de Desenvolvimento Sustentável da Bacia do Rio Taquari), presidido pelo prefeito de Sonora, Zelir Maggioni, promoveu uma série de atividades com a imprensa estadual e prefeitos integrantes, em prol da conscientização sobre a degradação do rio Taquari.
Para demonstrar o desastre ambiental, no domingo foi realizado um passeio de barco saindo da PMA (Polícia Militar Ambiental), descendo cerca de 20 km do rio e parando nas grandes ilhas formadas por bancos de areia.
Muitos ficaram impressionados com o que viram, pois em determinadas partes do rio é possível ficar em pé dentro da água devido à quantidade de resíduos. Nem mesmo o barco da PMA, que carregada o pessoal com as câmeras ficou de fora. Depois de levar quase meia hora, os visitantes tiveram que descer e empurrar o barco para que ele desatolasse.
De acordo com o coordenador-técnico do Cointa, Nilo Peçanha, 30 mil toneladas de sedimentos são despejadas no rio diariamente. Isso sem contar na quantidade de lixo, pois só no passeio foi recolhida uma quantidade generosa de isopor, garrafas pet, caixas de ovos, plásticos entre outros materiais.
O grande vilão desse assoreamento de acordo com o coordenador, foi à ação da pecuária, que desordenadamente devastou a mata para propiciar seus rebanhos desfrutar das águas nas encostas do rio. A lavoura e a abertura de estradas sem as devidas recomendações também colaboraram com este processo.
A assolação do rio também está afetando a economia da região, pois além de estar exterminando os peixes que alimentam a população ribeirinha, afasta os turistas que por muito tempo sustentou a cidade que é conhecida nacionalmente como “Terra do Peixe”.
De acordo com Nilo, fotos antigas revelam que o leito do rio era estreito e profundo, mas agora o processo erosivo alagou o rio e o deixou muito raso. Tem pontos em que ele ultrapassa 300 metros de largura. Na década de 40, os pescadores pouco usavam varas para impulsionar as canoas, porém agora deve ser usada em toda parte. Hoje poucos locais têm mais de seis metros de largura, esses locais são os canais do rio, porém no restante vê-se apenas uma lâmina de água e quando chove, leva muita areia para dentro do Pantanal.
“Vamos promover quantas ações forem necessárias. Precisamos do empenho das bancadas para que os nossos ribeirinhos voltem a viver da pesca e que possamos ter peixe em abundância na mesa de nossa população. O rio está morrendo, os barrancos estão caindo e a extensão está ficando grande de mais, impossibilitando-o de ser navegável” declarou a prefeita de Coxim, Dinalva Mourão.
Para a prefeita o não planejamento urbano também contribui para esse assoreamento. “Não temos a rede coletora de água pluviais e quando vem a chuva, ela leva o aterro para dentro do rio. As erosões da cidade conduzem as águas diretamente para o rio. Cada buraco que se tampa com aterro acaba voltando para o rio. Aonde não tem a drenagem e o asfalto o rio está comprometido. Até no centro temos ruas comprometedoras. Temos buracões que há mais de 20 anos jogam esses resíduos no rio como, por exemplo, na Vila Bela e no Senhor do Divino”.
A colaboração da cidade é pequena perto da exploração das propriedades rurais que lidam com a pecuária e a agricultura, pois eles não deixam nenhuma mata ciliar, também não deixam árvores nas extensões da lavoura como em Costa Rica, Alto Taquari, São Gabriel, jogando, portanto resíduos nos rios que deságuam no Taquari, ajudando no assoreamento. È uma soma de fatores que vem provocando esse desastre, pois, o homem nunca preocupou com a preservação do solo que hoje não têm nutrientes a oferecer para as plantações. Isso provoca as voçorocas que provocam grandes problemas no rio.
“Hoje em qualquer obra ou reforma realizada na cidade, procuramos ter essa preocupação ambiental. Seguimos as recomendações e os cuidados para que se faça um trabalho que não venha afetar a natureza. Esse comportamento deve ser seguido por todos os municípios, levando informações para a zona rural, além a conscientização da população urbana. A região do Previsul, por exemplo, já sofreu adequações, evitando a que a velocidade das águas levem resíduos para o rio” constata Dinalva.

Coletiva de Imprensa

Às 18h30 de domingo o grupo de prefeitos que integram o Cointa concedeu uma coletiva para falar dos reais problemas enfrentados pelo Taquari e qual o montante e ações necessárias para recuperá-lo. O deputado Junior Mochi ressaltou a importância que o rio tem para o Pantanal, pois é defluente no Pantanal dividindo duas importantes regiões: Nhecolândia e Paiaguás.
“De imediato já se tem liberado 3.850.000 (três milhões e oitocentos e cinqüenta mil reais), sendo que 400 mil será uma contrapartida do governo do estado para à recuperação de sete micro bacias nos municípios de Alcinópolis, Camapuã, Figueirão, Coxim, Pedro Gomes, São Gabriel e Rio Verde. Além da recuperação das micro bacias será feito um fortalecimento dos viveiros de mudas e a criação de outros viveiros na região norte” assegurou o deputado que dimensionou o problema do rio alegando que o mesmo possui 11 mil km2 de assoreamento e que o foco mais crítico está concentrado no Rio Coxim, que descarrega a maior quantidade de sedimentos no rio Taquari.


Grito de Alerta

Na manhã de ontem os membros do Cointa liderados pelo deputado Júnior Mochi realizaram uma ação na BR 163 às 08hs da manhã com o objetivo de sensibilizar a sociedade sobre a importância em se concentrar esforços para recuperar o Taquari.
“Queremos com este ato sensibilizar as autoridades, gritando socorro em nome do rio. Vamos assinar e entregar na Assembléia, uma carta com as reivindicações para a recuperação do Taquari” anunciou Mochi.
Na oportunidade, em comemoração ao dia da árvore, o grupo paralisou o trânsito na rodovia por cerca de 40 minutos. O movimento teve participação de diversas entidades como escolas, maçonaria, sindicato rural, imprensa estadual entre outros. Os participantes devidamente uniformizados com uma camiseta com a slogan “Salve o Taquari, Preserve o Pantanal”, distribuíram 1.500 mudas de árvores nativas, informativos, e adesivos.
“Este é o primeiro grito, vamos fazer quantos forem necessários. Esse grito representa uma esperança. Durante 30 anos estamos acompanhando o sofrimento deste rio e não tínhamos nenhuma mobilização para chamar atenção para o problema. O Lula falou deste problema na última campanha sobre o rio Taquari, mas a cada vez que era para serem investidos neste desastre, outros acidentes como o de Santa Catarina, teve o benefício desviado. Esperamos em breve entrar na pauta do governo federal, antes que seja tarde” declarou o presidente da Câmara de Coxim, Miron Coelho Vilela.
O presidente do Cointa, destacou a importância do movimento, “são ações como essa que, com certeza, vão atingir seu objetivo, ou seja, a recuperação do rio”, finalizou. (Ana Flávia Dorsa)



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Data - 22/09/2009
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